A Geração MIMIMI e o “não” emocional.

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Às vezes me pego pensando: que tipo de adolescentes serão todas essas crianças de hoje?

Certamente cada uma terá sua particularidade e seu modo de ser, até mesmo porque vimos no post anterior Tipos de Mães, que agora temos novas modalidades de maternidade.

Mas sabe de uma coisa?

Tirando aquelas mães, nas quais os filhos realmente não tem um lugar de nenhuma importância na família (as que denominamos de “mães-desnaturadas”), as demais, estão influenciadas pela onda de “cuide bem do seu filho”.

Independente se trabalham fora, em home office ou donas de casa, todos tratam os filhos como “pequenas peças raras de diamante”. 

O mais interessante é que não são só as mães que agem assim, acometidas por algum tipo de “instinto materno”, como acreditam alguns. Os papais também o fazem. Trocar fraldas e fazer dormir já não é novidade nenhuma pra maioria dos homens há algum tempo.

Mas o que dizer desses papais que cortam unhas minúsculas com toda delicadeza, secam cabelos compridos das filhotas após o banho e fazem “comidinhas de criança” como ninguém?

Engraçado mesmo é ver aqueles homens no alto de seus 1,90 cm sendo dominados por criaturas minúsculas de meio metro. Colocam ordem numa equipe de 500 funcionários, são admirados pela competência com o qual conduzem problemas sérios, discussões entre colegas e a tal crise que acomete o país. Mas sem o paletó, são trapaceados e fazem negociações sem sucesso com um único indivíduo que mal conseguem controlar os esfincteres.

E tem mais: você já observou como reforçamos excessivamente os pequenos para qualquer pequena atitude?

Como psicóloga, sei bem que é positivo o reforço de um comportamento para que ele se repita. Mas será que não estamos abusando um pouco dessa teoria?

Seu filho deu o primeiro passo, aprendeu a guarda os brinquedos na caixinha ou experimentou pela primeira vez uma determinada comida e você elogiou ele? Claro!! E que bom que você fez isso. Assim ele tem uma “pista” de que está indo para o caminho certo.

Mas os pais de hoje fazem muito mais do que dar “pistas” de um bom caminho.  Tem pai e mãe que reforça comportamentos dos filhos que são absolutamente fisiológicos, que independem da vontade da criança.

Eu não sei você, mas já presenciei até “torcida do xixi”. Não, você não leu errado.

– Olha papai, venha ver, a mariazinha fez xixi!!  – diz a mãe vibrante.

– Nossa filha, que xixi grande!!! Parabéns!!! – diz o pai orgulhoso.

– Xixi….. tãnãnã… xixi…. tãnãnã…. – batem palmas juntos os pais.

E lá vai a fralda suja pro lixo ao som da sinfonia.

Ou mesmo comportamentos que já foram aprendidos pela criança e que não precisam mais de um “ebaaaaaa” cada vez que é feito.

– Filho, você tá comendo macarrão que a mamãe fez? êêêêê!! Que bom!!!!! Parabéns filho!!! – diz a mãe feliz

–  Mas ele já come macarrão desde um ano de idade, não é?- questiona a amiga que assiste a cena.

– Sim, ele sempre gostou de macarrão.  Mas não é lindo de ver? – replica a mãe.

Tá rindo?

Seria mesmo cômico se não fosse trágico.  😉

Ninguém bate palma toda vez que uma criança respira. E por que não?

Você provavelmente vai responder porque é algo natural da vida que não requer aprendizado. Ninguém ensina uma criança a respirar, não é?

Então por que  é  preciso reforçar o comportamento de fazer xixi e ter fome, se isso também é algo que vem junto com o “kit de ser humano”?

As crianças dessa geração estão sendo privadas da sensação deliciosa que é ser recompensado por algo que de fato merece aplauso.

Mas não fique com vergonha se você já fez “torcida do xixi” pro seu filho. Eu já fiz outras torcidas tão desnecessárias como esta quando a Alícia era bem pequena. Aquela vontade de fazer um “êêêê” para um bebezinho é tão irresistível, que às vezes supera o nosso bom senso.

Se você acha isso estranho, saiba que acontece na casa de muita gente que eu e você conhecemos, ou talvez aconteça na sua casa. E se você está se perguntando por quê isso acontece na sua casa, mesmo você sabendo que é insano, eu tenho um palpite:

Houve uma época em que toda a ausência dos pais em função de trabalho ou qualquer tipo de culpa que alguma mãe pudesse carregar, era recompensada com bens materiais. Lembra desse assunto no post Geração Miojo?

Mas a sociedade está em constante evolução e vendo resultado de ter crianças e adolescentes tão consumistas e um tanto fúteis, fomos construindo um novo modelo que agora clama ao pais:  “Diga não aos seus filhos!”

E quando nós estávamos em plena adolescência, começaram a surgir artigos e pesquisas de especialistas na área alertando dos perigos de atender a todos os desejos materiais do filhos. Presentes em excesso, viagens para Disney e tudo mais que o dinheiro pode comprar, agora é visto como um comportamento negativo que só os pais “não comprometidos com a educação e o futuro dos filhos” possuem.

Mas nenhuma “onda de novo pensamento” se instala de uma hora para outra. Observe como você já mudou de opinião sobre diversos assuntos ao longo da sua vida. Certamente você não dormiu um dia convicto de uma opinião ou gosto e acordou subitamente com outra. (Um exemplo é a  tal “música Sertaneja”. Há um bom tempo era cafona e motivo de vergonha “gostar daquilo”. Depois todo mundo já tinha uma cópia do novo CD do  Bruno e Marrone tocando no carro.)

Bom, com a educação acontece a mesma coisa. A forma de educar os filhos vai mudando com o passar dos anos e sem perceber, também temos uma cópia do novo CD da educação tocando em casa.

E quando nós, os adolecentes citados anteriormente, fomos crescemos e então tivemos filhos, já estava bem impregnada a ideia do quão prejudicial era o consumismo das criançada.

Pergunte a qualquer um que tem criança em casa: “Você dá tudo o que seus filhos pedem no mercado? Por que?”

A maioria esmagadora vai te responder um belo não. E vai justificar dizendo que,  dá vontade de “dar tudo”, ainda mais quando fazem aquela carinha pidona junto. Mas “dar tudo” aos filhos não faz bem e eles precisam aprender a ouvir “não”.

Os pais acreditam mesmo que esses são seus valores. Mas não são “seus”.  Na prática é só uma ideia que veio sendo construída ao longo dos últimos anos e que eles introjetaram sem perceber. Eles estão apenas reproduzindo a voz dos “tais especialistas”e em todas as gerações estes especialistas exisitrão, mudando a forma de educar e influenciando a geração seguinte.

E a maioria dos pais são bons em dizer “não” para o brinquedo que, num descuido do olhar da mãe,  foi agarrado com tudo da prateleira da loja.

Mas será que são tão bons em dar um “não” emocional?

É, aí a coisa muda de figura.

“Não” pra bala, chocolate, fritura, brinquedos, roupas, aquela mochila nova das princesas… tudo isso estamos preparados e convencidos que fazemos bem.

Mas dizer “não” para o choro quando estamos saindo de casa para trabalhar, quando imploram atenção durante a conversa entre adultos, quando a mãe já não quer mais amamentar e o filho ainda levanta a blusa dela, “não” para cada “mãeee vem brincar aqui comigo no quarto”.

Vix!!!

Essa geração de pais não está preparada pra isso. Vejo isso o tempo todo na rua. E vejo isso aqui em casa também.

E é desse”não” emocional que esta nova geraçãozinha de crianças vai ser carente.

Os pais quando estão em casa com os filhos pequenos, entre trabalhos e afazeres domésticos estão sempre respondendo aos chamado com um “espera um pouquinho filho, já vou”. E entre uma louça e outra, abaixam-se, dão atenção, fazem uma rápida brincadeira e começa tudo outra vez.

Agora junta essa carência de “não” emocional com aquela história de reforço excessivo de qualquer comportamento e me responde:

Como serão essas crianças no futuro?

No imaginário popular existe a fantasia de que os pais estão ocupados demais com o trabalho e não dão atenção aos filhos e que os adolescentes são distantes das familias.

Isso pode ter sido verdade durante alguns anos.

Mas responda sinceramente: quantos pessoas que tem filhos e que você conhece que tem esse comportamento? E quantos conhecidos seus agora trabalham em casa ou possuem trabalhos de meio período? Quantos fizeram escritórios em casa e trabalham online?

Não sei você, mas conheço muita gente que tem filhos pequenos. Mas não consigo selecionar nenhum que, digamos,  não se importa de verdade com os filhos. Mesmo os que trabalham bastante dão um jeito de serem presentes de alguma forma. Mesmo que faça isso de forma errada ou atrapalhada, mimando ou sendo permissivos demais.

Prova disso é que os estudos apontam que crianças pequenas dormem cada vez menos, justamente porque os pais querem a companhia deles quando chegam em casa, já que passaram o dia fora.

Então nosso futuros adolescentes serão, na minha opinião, uma geração mais ligada aos pais e um tanto quanto “mimimi”.

Bom, já é de conhecimento geral que nós da Geração Y somos um pouco frustrados por nos sentirmos especiais e não obter resultados, por não se esforçar tanto e desejar o retorno rápido e por sermos ansiosos. O que dizer dos nossos filhos? O que dizer desses pequenos que, além de ter como exemplo as nossas características citadas acima, ainda não levam “não emocional” e são reforçados excessivamente?

A ideia de todos os posts relacionados às gerações, foi trazer uma evolução dos comportamentos, para termos uma noção de como as coisas foram acontecendo, de como tem o dedo de todos nós em tudo o que reclamamos dessa atual geração de jovens.  E o mais importante: o quanto que  nosso comportamento com nossos filhos hoje, também irá impactar na adolescência futura deles.

Se você também quer um futuro de pessoas melhores, começe olhando essa pessoinha que está aí com você.

Mudarmos nossas atitudes com nosso filhos, impondo limites com amor e sabedoria, dando atenção necessária e de qualidade, mas não excessiva e irrelevante, sermos um exemplo de atitudes mais tranquilas em todos os âmbitos são os caminhos para construirmos isso juntos.

De fato precisamos entender que educar é mais do que simplemente fazer nossos filhos pararem com birras, comer legumes ou aprenderem a usar o penico. Educar é mostrar aos filhos que o respeito é necessário em todas as relações, independente da idade que se tem, e aí que entra o não emocional.

 

 

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